Os Colheita Tardia são vinhos doces não fortificados, ao contrário dos Portos, onde para preservar o açúcar natural acumulado nas uvas, a fermentação é interrompida por adição de aguardente. No caso dos Colheita Tardia, como o próprio nome explica, as uvas são colhidas mais tarde, entrando em processo de desidratação, concentrando o açúcar e modificando os aromas.
Existem várias técnicas que permitem promover a desidratação dos bagos. A mais simples, e mais usada em Portugal, é deixar as uvas secarem na vinha, mas também podem ser colhidas mais cedo e deixadas a secar ao sol (como se faz na Toscana), podem ser colhidas já congeladas (o famoso Ice Wine da Alemanha) e finalmente, podem ser produzidas com recurso a um fungo Botrytis cinerea, chamada “podridão nobre” que só é possível em condições muito específicas e origina os mais nobres Colheitas Tardias.
Em Portugal não é fácil encontrar um local onde se verifiquem as condições certas para o desenvolvimento da podridão nobre, e o aquecimento global em nada tem ajudado, mas existe um Colheita Tardia histórico – o Grandjó da Real Companhia Velha. A vinha para produzir este vinho com Sémillon fica a 600 metros de altitude no planalto do Alijó, com humidade matinal e dias solarengos.
A não perder também o Falcoaria, um lote entre as castas Viognier e Fernão Pires que foram afetadas por Botrytis e exibem aromas de frutas tropicais, manga seca, casca de laranja, mel e damasco. Um estilo de vinho bastante doce com óptima concentração de frutas, fabulosa viscosidade e em perfeita harmonia com bela acidez seguida por um final de boca muito persistente.
Uma das harmonizações clássicas para Colheitas Tardias é foie gras, mas também é o par perfeito para sobremesas mais leves com natas ou fruta. Ideal também para uma grande variedade de queijos. Vamos conhecer as nossas sugestões de hoje?